Guia para uma redação nota 10
Da criatividade à boa argumentação, tudo que
não pode faltar num texto
Como fazer um bom título? Há regra para
argumentar com consistência? O que fazer
quando se tem dúvidas gramaticais? Em grande
parte dos vestibulares, a redação é parte
importante da nota final obtida no exame.
Por essa razão, mesmo quem gosta de escrever
pode se sentir inseguro na hora de passar
suas idéias para o papel. Embora não exista
fórmula do texto perfeito, algumas dicas
podem ser valiosas para ajudar tanto os
vestibulandos a se dar bem nesta avaliação,
quanto aqueles que precisam se aperfeiçoar.
O professor aposentado da UNESP
(Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho), autor do livro "Redação no
vestibular da Unesp: a dissertação", Rogério
Chociay, acredita que antes de mais nada,
usar a criatividade é fundamental. Para
alcançar este objetivo, o estudante deve se
preocupar em ler bastante e de tudo um
pouco. "O candidato deve conhecer sobre
temas variados. A leitura é essencial neste
processo. Obras clássicas, jornais,
revistas, livros contemporâneos e até gibis
auxiliam na aprendizagem de assuntos
diferentes e no enriquecimento do
vocabulário, o que, conseqüentemente,
enriquece o texto", afirma.
Na opinião de Chociay, deixar a preguiça de
lado e trabalhar em cima de textos é outra
dica preciosa. "Tão importante quanto a
leitura é a prática da escrita. Somente com
o treino é que o estudante consegue melhorar
seu texto", opina. Ele aconselha o estudante
a fazer mais redações do que o número pedido
pelas escolas ou cursinhos. "O candidato
deve se forçar a escrever sobre temas
variados e pedir para alguém corrigir ou ler
seu texto. Mesmo quem tem talento, se não
praticar, fará uma redação ruim", opina o
autor.
A coordenadora da prova de redação do
vestibular da Unicamp (Universidade Estadual
de Campinas), Meirélen Salviano Almeida,
acrescenta que o aluno deve estar atento à
objetividade do texto. "O estudante precisa
seguir os padrões da norma culta e
apresentar as idéias desenvolvidas de forma
clara. Enrolar só dificulta o bom
desenvolvimento dos argumentos e o aluno
pode comprometer sua nota", afirma.
Segundo Meirélen, a redação avalia a
capacidade do estudante de se expressar de
forma acadêmica. Por esse motivo, a
universidade é rígida em seu processo de
avaliação. "A redação é fundamental em
qualquer área do conhecimento, não apenas
para os cursos de Humanas", explica.
O diretor acadêmico do vestibular da UNESP,
Fernando Dagnoni Prado, complementa que a
dissertação é a forma de comunicação usada
durante todo o curso de graduação. Daí a
importância de testar, já no vestibular, a
capacidade de articulação de idéias do
candidato por meio da dissertação. "Jargões
e 'narizes de cera' devem ser evitados.
Esses recursos só ocupam espaço e não
acrescentam nada ao texto", afirma.
Dissertação ou narrativa?
Na hora da redação, algumas universidades
oferecem mais de uma modalidade de texto a
ser trabalhado, as mais comuns são a
dissertação e a narrativa. Para não se
confundir na escolha, Meirélen orienta o
candidato a optar pela modalidade que mais
agrada o estudante levando em conta o tema e
sua capacidade individual em desenvolver
textos dentro dos padrões de cada uma. Ela
lembra, porém, que a banca examinadora será
igualmente rigorosa nas diferentes
propostas.
"Cada um dos estilos têm suas regras. A
banca examinadora é treinada para
corrigi-los com a mesma rigidez e analisar
os padrões da opção escolhida", afirma. O
professor Prado acrescenta que o aluno sabe
bem quais são seus pontos fortes e,
portanto, está preparado para escolher
corretamente. "Se ele teve mais narrações
bem-sucedidas durante o Ensino Médio ele
deve fazer essa escolha. Um formato não é
mais fácil que o outro", garante ele.
Após optar pelo modelo de texto, o candidato
deve prestar muita atenção às regras da
modalidade eleita. "A dissertação parte da
proposta de um tema que deve ser
desenvolvido em uma linha de coerência. As
idéias utilizadas devem mostrar as possíveis
posições que podem ser tomadas e a conclusão
deve estar de acordo com os argumentos
desenvolvidos", ensina Prado.
Para Chociay, se o candidato optar pela
narrativa ele deve ter em mente a
importância da coerência do desenrolar da
história. "A narrativa deve ser bem pensada.
Precisa de começo, meio e fim. Muitas vezes,
pode ser até mais difícil do que construir
um texto argumentativo", ressalta. Prado
complementa que neste formato de redação,
não podem faltar personagens que se
relacionem em torno de um conflito. "Se o
candidato destacar um objeto no começo da
narração, algo deve acontecer com ele até o
final da história", explica.
Fuja dos erros!
Na dúvida sobre como escrever, não arrisque
levar textos prontos no dia do exame.
Segundo Chociay, há casos em que o aluno
leva um texto padrão para copiar a estrutura
dentro de outro tema e perde completamente o
foco da argumentação. "Se o candidato levar
uma redação pronta, ele fatalmente irá usar
sua estrutura e correrá o risco de se
desviar do tema a ser abordado", diz.
Na opinião de Chociay, outro risco acontece
quando o vestibular permite narrativas.
Alguns candidatos tentam imitar o estilo de
escrita de um escritor famoso e se dão mal
por isso. "O estudante deve se lembrar que o
escritor levou anos para aprimorar seu
estilo e que ele não será bem-sucedido ao
tentar copiá-lo", explica.
O título é outro ponto de dúvidas e onde
muitos alunos pecam na redação. Afinal, é
obrigatório ou não fazer o título? Há
vestibulares em que ele não é obrigatório. A
prova da Unicamp, por exemplo, quando não
cita a obrigatoriedade do título no
enunciado do exame, não desconta pontos do
estudante. "Se o título não é pedido no
enunciado da prova, é uma opção do candidato
colocá-lo. Isso não vai tirar pontos do
aluno", explica Meirélen.
Chociay, por sua vez, aconselha o candidato
a usar título mesmo quando ele não for
obrigatório. "O título resume a idéia a ser
trabalhada no texto e estimula a curiosidade
do leitor", afirma. Por ser uma peça chave
do texto, Chociay acredita que o título deve
ser muito bem escolhido, não pode ser óbvio.
"O título precisa chamar a atenção. Usar um
título genérico é o mesmo que um convite
para que a banca não se interesse pelo
texto," opina ele.
Por fim, revisão é fundamental. Para os
especialistas, não há dúvida de que erros
gramaticais na versão final de uma redação
comprometem o sucesso. Chociay recomenda ao
candidato fazer um rascunho da redação e só
depois de muita revisão entregar a versão
final do texto. "Há espaço para isso no
material dado no dia do vestibular e também
há tempo para passar o texto a limpo. Na
revisão, o aluno encontra erros gramaticais
que devem ser corrigidos. Por isso, o
candidato deve fazer o rascunho, ler, reler,
passar a limpo e ler novamente. Assim ele
pode consertar todos os erros que deixou
para trás", diz.
Mais informações http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=15912
Fonte: Portal Universia - publicado em
15/05/2008